Aforçar afalar
tudo que digo é mentira
mentira eu digo é tu a falar
tudo que ouço mente
minto
Tudo mesmo eu só sinto
domingo, 20 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
(de Roberto das Neves, publicado em 1952 em "Assim Cantava um Cidadão do Mundo", Editora Germinal, Rio de Janeiro)
À memória de Rodolfo Gonzales Pacheco, o grande poeta e dramaturgo, recentemente falecido, que honrou as ideias anarquistas. Inspirado numa das suas peças de teatro.
Como eu, há muitos percorrendo o mundo.
Através das nações, do mar profundo,
dos desertos escaldantes, dos países gelados,
cruzam os meus companheiros,
atrás dos seus arados.
Saúda-os a Manhã nos cânticos dos galos.
O Meio-dia com a sesta os abençoa.
E a Noite vai tragá-los,
como um túnel imenso.
Mas eles seguem sempre, em seu labor imersos.
Aqui, lavram um monte.
Ali, secam um charco.
Mais adeante, publicam um jornal
E, mais longe, sobre um barco,
fazem flamejar versos.
Obreiros, apóstolos, poetas,
semeadores das verdes campinas do Ideal,
seguem, sem se deter, pelas veredas retas,
duros, tostados, curtidos
pelas brasas do sol,
pelo açoite dos vendavais.
Para quê?
Para amealhar riquezas materiais?
Conquistar o vil poder?
A suja glória de mandar?
Não e Não!
Apenas para isto: semear!
Nenhuma outra ambição,
nenhuma outra cobiça
agita o semeador.
Semear o de que mais os homens necessitam:
fé na Vida,
esperança na Justiça, Amor!
Jamais nos vimos,
o que ara e o que escreve,
o que, caçando estrelas, aos céus se empina
e o que, impelindo o arado pelos cimos,
caminha pela neve,
ou o que marcha
pela senda que ele próprio abriu na mina.
E entretanto compreendemos
que somos camaradas e irmãos,
de uma única armada combatentes.
São os mesmos os nossos fins supremos.
O mesmo ideal nos faz mover as mãos
e o mesmo sonho abrasa as nossas mentes.
Semear sem descanso! — eis o lema de tantos.
Mas semear o quê? — perguntarão.
— Pois, isto: Pão,
impulsos, visões, cantos,
protestos, esperanças e amores!
Rodolfo, como tu, com teu ardor fecundo,
eu sou também dos tantos semeadores
que percorrem o mundo!
À memória de Rodolfo Gonzales Pacheco, o grande poeta e dramaturgo, recentemente falecido, que honrou as ideias anarquistas. Inspirado numa das suas peças de teatro.
Como eu, há muitos percorrendo o mundo.
Através das nações, do mar profundo,
dos desertos escaldantes, dos países gelados,
cruzam os meus companheiros,
atrás dos seus arados.
Saúda-os a Manhã nos cânticos dos galos.
O Meio-dia com a sesta os abençoa.
E a Noite vai tragá-los,
como um túnel imenso.
Mas eles seguem sempre, em seu labor imersos.
Aqui, lavram um monte.
Ali, secam um charco.
Mais adeante, publicam um jornal
E, mais longe, sobre um barco,
fazem flamejar versos.
Obreiros, apóstolos, poetas,
semeadores das verdes campinas do Ideal,
seguem, sem se deter, pelas veredas retas,
duros, tostados, curtidos
pelas brasas do sol,
pelo açoite dos vendavais.
Para quê?
Para amealhar riquezas materiais?
Conquistar o vil poder?
A suja glória de mandar?
Não e Não!
Apenas para isto: semear!
Nenhuma outra ambição,
nenhuma outra cobiça
agita o semeador.
Semear o de que mais os homens necessitam:
fé na Vida,
esperança na Justiça, Amor!
Jamais nos vimos,
o que ara e o que escreve,
o que, caçando estrelas, aos céus se empina
e o que, impelindo o arado pelos cimos,
caminha pela neve,
ou o que marcha
pela senda que ele próprio abriu na mina.
E entretanto compreendemos
que somos camaradas e irmãos,
de uma única armada combatentes.
São os mesmos os nossos fins supremos.
O mesmo ideal nos faz mover as mãos
e o mesmo sonho abrasa as nossas mentes.
Semear sem descanso! — eis o lema de tantos.
Mas semear o quê? — perguntarão.
— Pois, isto: Pão,
impulsos, visões, cantos,
protestos, esperanças e amores!
Rodolfo, como tu, com teu ardor fecundo,
eu sou também dos tantos semeadores
que percorrem o mundo!
sábado, 27 de novembro de 2010
Razão
raiz da questão
quadrada
enquadra
mãos pra cima, loucura
delírio
ser lírico
obrigado, mas cansei de explicar
vo confundir pra dizer
que sei aonde vou, sei?
Seio da questão
pra que lado bate o meu coração?
Falo comigo mesmo,
qualquer papo a esmo
escuto as duas vozes dessa
du(riv)alidade
e sigo outra direção
Tiê
TU é tuinha
sou zé, que num entende quando qué
e sabe o que num era pros zés
e num qué fraqueja e subjuga o desejo de ir mais em frente
ou até do lado, quem sabe volto um pouco
e que é isso ali em cima da árvore?
beijas
raiz da questão
quadrada
enquadra
mãos pra cima, loucura
delírio
ser lírico
obrigado, mas cansei de explicar
vo confundir pra dizer
que sei aonde vou, sei?
Seio da questão
pra que lado bate o meu coração?
Falo comigo mesmo,
qualquer papo a esmo
escuto as duas vozes dessa
du(riv)alidade
e sigo outra direção
Tiê
TU é tuinha
sou zé, que num entende quando qué
e sabe o que num era pros zés
e num qué fraqueja e subjuga o desejo de ir mais em frente
ou até do lado, quem sabe volto um pouco
e que é isso ali em cima da árvore?
beijas
Ansiedade
ser na cidade
Cinza ate metade
O sol pulsa
Ceu janela e grade
no coração que bate
a vontade da paixão,
ocupação agora:
trabalho, moradia e
dignicidade?
Sem essa ilusão
o cadeado trocado não foi mais adiado
e na espera estou
15 dia e Pow
Novo lado, será que
loco estou?
Carrão, mauá ou tropicalia?
Perdi o mapa, a bussula gira num para
como ponteiros de relogios
Thic táqui
E eu cansei de correr atras, dando voltas.
Pensar, plantar, mas pra isso para e morar.
Num apresse o rio que ele corre sozinho,
mas cuidado pra num ser levado pela correnteza
ele bifurca e num disseram sobre a cachoeira
Há, mas enquanto isso vo de leve
dando role de camelinho com meu walkman
Brincando e jogando esperando o jokerman
pra truca
Luz
ser na cidade
Cinza ate metade
O sol pulsa
Ceu janela e grade
no coração que bate
a vontade da paixão,
ocupação agora:
trabalho, moradia e
dignicidade?
Sem essa ilusão
o cadeado trocado não foi mais adiado
e na espera estou
15 dia e Pow
Novo lado, será que
loco estou?
Carrão, mauá ou tropicalia?
Perdi o mapa, a bussula gira num para
como ponteiros de relogios
Thic táqui
E eu cansei de correr atras, dando voltas.
Pensar, plantar, mas pra isso para e morar.
Num apresse o rio que ele corre sozinho,
mas cuidado pra num ser levado pela correnteza
ele bifurca e num disseram sobre a cachoeira
Há, mas enquanto isso vo de leve
dando role de camelinho com meu walkman
Brincando e jogando esperando o jokerman
pra truca
Luz
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
"Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."
Fernando Pessoa.
Nesse sentido, o amor é uma companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
(Alberto Caeiro)
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."
Fernando Pessoa.
Nesse sentido, o amor é uma companhia
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
(Alberto Caeiro)
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